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Mostrando postagens com marcador Jorge Pinheiro. Mostrar todas as postagens
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VRTUAL /REAL - Filomêna Gonçalves x Jorge Pinheiro

FILOMENA GONÇALVES (MENA)

 
Este é o segundo desafio Virtual/Real. Hoje desafiei a Mena. Eu falo aqui, ela fala no blogue De-OLHAR Amanhã invertemos. Eu publico o post dela e ela o meu. Depois tudo será devidamente arrumado no blogue VIRTUAL/REAL Façam os vossos desafios. Todas as 6ª feiras.
Já não sei muito bem como entrámos em contacto. Provavelmente foi no contexto da Tertúlia Virtual. A Mena é de Lagos (Algarve). Eu tenho lá um apartamento de férias. Este foi o elo de ligação. Marcámos um encontro no Largo do "Sebastião". Acho que foi em 2009. Tínhamos a referência das fotos dos respectivos blogues. Daí para cá, sempre que vou lá abaixo, marcamos um jantar ou um encontro. O certo é que tenho já uma série de amigos em Lagos. Gente da terra. Gente que me transmite uma outra visão da cidade. Lagos transformou-se de um simples local de evasão, numa segunda morada. Passei a ter o privilégio de participar da vida da cidade e de não me sentir um mero turista. A esse encontro com a Mena devo esta "integração".
 
A Mena é discreta, talvez um pouco tímida. Uma pessoa calma e ponderada de quem é fácil gostar. Nada nela é exibicionista. A vida nem sempre lhe tem sorrido, mas ela sabe vencer a vida. Há na Mena muito daquele mar salgado que se lançou às descobertas sem medo, mas sem saber para onde ia. Uma fatalidade que todos os algarvios têm. Um destino intrínseco que os leva para lá do mar, mas que acaba sempre em terra. Ela mora na praia e a praia mora nela. Uma praia enorme que a apaixona permanentemente.
 
Lagos foi capital dos Descobrimentos até 1460, data da morte do Infante D. Henrique. Foi aqui que a aventura começou. O Algarve conheceu uma fugaz expansão, para rapidamente entrar em novo declínio. O Algarve tem vivido em permanente sobressalto económico. O fluxo turístico que invadiu o território a partir dos anos 60 do século XX não alterou mentalidades. Há uma tolerância por parte dos "locais", mas, simultaneamente, a sensação de que lhes estão a tirar algo. De facto há dois "algarves" que nunca se misturarão. O Algarve dos hotéis e dos pacotes turísticos, dos "pubs" e das discotecas, das férias por atacado e dos escaldões a granel. E um outro Algarve das tradições e das tertúlias, dos pescadores artesanais e dos petiscos ancestrais, da gente que fala rápido e cerrado. Um Algarve que teima em sobreviver. Um Algarve que mantém uma enorme ruralidade à beira do oceano.
A Mena faz parte deste "núcleo duro" de pessoas que não se deixaram vencer pela vassalagem turística. Talvez sofram por isso... Mas só assim o Algarve continua manter a sua personalidade. A Mena pinta, desenha e dedica-se ao artesanato. Os seus trabalhos podem ser vistos nos blogues ARRABISCA e TRAPICE A Mena é, também, uma das dinamizadoras dos "Contos do Barão", uma tertúlia interessantíssima, que pode ser consultada a partir do blog LAGOS e à qual espero ir um dia destes.
No Verão de 2010, a Mena organizou um Encontro de Blogueiros, em Lagos. Foi a oportunidade de muitos se conhecerem (sabem quem é quem?). Uma noite magnífica de calor que ainda aguarda por "resposta". Para a Mena e para todos os amigos de Lagos vai este post, com saudades de quem ainda não foi "lá baixo" este ano.

VIRTUAL /REAL - Filomena Gonçalves x Jorge Pinheiro

 
Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

"O EXPRESSO"


(Desculpem a falta de fotos...)

Finais de 2007, julgo. Eu saía de uma vida feita fora de casa e com muito pouco tempo livre, para uma reclusão forçada e demorada. A net e os blogues tornaram-se a minha ligação com o mundo exterior, perto e longe. Iniciava-me timidamente no “arrabisca”, com desenhos de meninas pequenas à medida da dimensão do meu sótão. Obrigava-me a sair e fotografava flores que postava no “de-olhar”. Foi aí que conheci o “EXPRESSO DA LINHA” e começámos a trocar comentários. Alarguei o leque de amigos virtuais através dele. Visitar-lhe o blogue tornou-se hábito diário.
Por essa altura, ele escrevia “Filhos do Povo do Sul”. O CD dos “Ephedra” chegou-me pelo correio. Mais do que as imagens, fascinava-me a sua escrita. Sintética. Incisiva. Expressiva. Esclarecedora. Objetiva. Lúcida!

Por algumas imagens, percebi que costumava passear-se pela minha cidade. Teríamos, seguramente, pontos em comum. Sem grandes problemas geográficos, foi fácil combinar um 1º encontro. Os meus amigos arredaram-se um pouco. Acabei por o conhecer REALMENTE , sozinha. E não me arrependo nem um pouco!

Nesse 1º encontro a três (que a Fernanda também foi), presenciado pelo Sebastião do Cutileiro, cimentou-se a amizade que já vinha de uma empatia virtual. Não tenho fotos. Ficou-me a lembrança da amena cavaqueira durante o jantar e o sabor das lulas fritas. A lembrança do passeio tardio por ruas estreitas e o Jorge de máquina fotográfica procurando varais escuros. Um fim de noite já com projetos conjuntos. A sensação de que o conhecia há muito.

 
Sem o Jorge não teria acontecido o Encontro de Blogueiros em Lagos. Um jantar memorável.

Um passeio de barco tempestuoso.

 Um almoço com sorrisos e mais amigos.
 
Amigos virtuais que se tornaram reais.
 Uns que ficaram até hoje, outros que se perderam. Continuo a ler o Jorge e a repetir-me em elogios à sua escrita. Deu-me a conhecer gente fascinante. Myra. Roberto Barbosa. Conta histórias da História que não me aborrecem. E surpreende-me muitas vezes com postagens inovadoras. Raramente partilhamos intimidades ou confidências, mas acontece ocasionalmente. Coisas de amigos de há muito tempo. É um privilégio sentir assim. Obrigada, Jorge, por teres postado flores.

VIRTUAL / REAL - Jorge Pinheiro/Eduardo P.L.

6.4.12

EDUARDO - O SENHOR DOS VARAIS

Naquele tempo, os blogues não tinham cara. As caras não tinham rosto. Ninguém tinha face. Havia um anonimato implícito na blogoesfera, como se a virtualidade não tivesse nome. Reconhecer o Eduardo não foi fácil. Era Junho. Ano, o longínquo 2008. Foi em Lisboa. Já não me recordo como cheguei ao Varal de Ideias (o blogue do Eduardo). Cheguei num estendal atlântico. Fizemos uma ponte inter-continental. Ele estava em Lisboa. Houve uma empatia imediata. Traçámos planos na mesa do jantar. Surgiram blogues colectivos: Tertúlia Virtual; A Favor e Contra; Mobilling; Pé de Moça... Já nem sei! Sei que foi a primeira vez que encontrei alguém que era "apenas" virtual.
Estar na blogoesfera não é fácil. Há uma permanente exposição pública... voluntária. O Eduardo gosta de se expôr. Pela última contabilidade, ele tem 59 blogues e não vai ficar por aqui. Quem é o Eduardo? Seguramente uma pessoa complexa e multifacetada. Pintor, escultor, apaixonado pelas artes, apaixonado pela vida. Um homem, simultaneamente, ponderado e exuberante. Abrangente e teimoso. Seguro das suas ideias, certo dos seus propósitos. Não gosta de voltar atrás e de pedir desculpa. Somos o oposto. Eu estou sempre a voltar atrás e a pedir desculpa. Então porque ficámos amigos? Curioso nesta relação, é que há uma uma sensação de irmandade recíproca. Uma ligação de personalidades fortes e afirmativas que se respeitam e complementam. Algo que não se explica.
Em Janeiro de 2010 fui à Piacaba. Entrei por São Paulo. Fizemos depois o trajecto de carro até Santa Catarina. Um trajecto de dez horas que deu para muita conversa. A Piacaba é o paraíso do Eduardo. Uma casa fantástica, atelier de escultura, estúdio de pintura... Um Brasil diferente.  Choveu três dias seguidos. O Eduardo gosta mais de ouvir do que de falar. Tem opiniões precisas e "quase" inabaláveis. O seu atelier respira criatividade. Creio que há no Eduardo uma necessidade imperativa de agregação. E, no entanto, ele é muito exclusivo. São estas contradições que fazem as personalidades cativantes.
Uma casa no meio da mata. A praia ali tão perto. Esta é a Picaba. Foi em 2000 que Eduardo concretizou o sonho. Para um europeu, tudo é estranho nestas paragens. Há um espaço que custa a entender. Uma grandeza que se perde na imensidão do horizonte. Os turistas não são espanhóis, mas argentinos. Não há queijo da Serra e o bacalhau é uma miragem. Nem sempre entendemos o que nos dizem e temos de falar devagar para ter algum reconhecimento verbal. Mas, se não fosse assim, mais valia ficar em Lisboa. É uma sensação magnífica ouvir a nossa língua falada com vibração. Cantada com poesia. Entoada com as mil cores da mata atlântica.
Não sou de cerimónias. Andei pela casa toda. Fotografei tudo o que mexe. Este é o quarto do Eduardo. Às vezes ponho-me a pensar no gozo que deve ter dado planificar este sítio. Os planos que foram feitos. O prazer de ver a obra concretizada. Este é um quarto de sonho. Quem tem um quarto destes, tem de ser especial.
Estar por detrás de um grande homem quando se é uma grande mulher, não é fácil. Paulinha não está atrás. Está ao lado. Uma "paulista" convicta, Paula é uma personalidade cativante. Há encontros que estão pré-destinados. Este foi um deles. Eduardo é um homem de sorte.
Eduardo é o Senhor dos Varais e o Homem das Mil Caras. Com ele a blogoesfera nunca acabará. Tenho por ele uma profunda estima e um enorme carinho. Estranho, sinto um à vontade com ele que não sinto com muitos amigos "reais". Talvez haja entre nós uma ligação primordial.