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VRTUAL / REAL - Eduardo P.L. x Mauro Castro

sexta-feira, 20 de abril de 2012


Amigos para sempre


Eu estava em meio à confusão do trânsito quando o telefone tocou. Era um amigo internauta, que sempre deixa comentários inspirados no meu blog. Ele estava em Porto Alegre, queria me conhecer pessoalmente e levar um livro autografado do Taxitramas para sua casa em Santa Catarina. Anotei o endereço do hotel e toquei pra lá.

No caminho, deu um branco e esqueci o primeiro nome do meu amigo virtual. Lembrava apenas que era um nome comum seguido das letras P.L. Depois de tentar desesperadamente conseguir uma wireless para acessar à internet, resolvi tocar logo para o hotel, pois já estava atrasado. Quando bati o olho no homem postado na portaria do hotel, o nome veio. Eduardo!

Estacionei o táxi e batemos um papo animado. Em poucos minutos éramos amigos antigos, muitos assuntos em comum, ideias parecidas. Como estava mesmo na hora de passar o táxi para o parceiro da noite, entreguei o carro e fiquei com Eduardo no prédio da Fundação Iberê Camargo, que ele queria muito conhecer.

Depois de apreciar o impactante acervo do artista dos carretéis, reunidos em um prédio não menos genial, chegou a hora de irmos embora. E quem diz que conseguimos um táxi? Meu amigo vem de longe conhecer um taxista e ficamos sem condução! Sem problemas: ficamos, literalmente, a ver navios, batendo papo em frente ao prédio, admirando o sol poente mais lindo do mundo. Quase lamentamos quando o táxi chegou.

Só agora, escrevendo essa história, aliás, acabei lembrando que o taxista que nos resgatou no museu era uma figura, e contou uma corrida formidável que fez para uma mulher estranha com uma bolsa cheia de dólares. Acabei esquecendo de anotar aquela história, como tantas outras que meus colegas contam e caem no esquecimento...

O fato é que, naquela dia, um conhecido virtual tornou-se um grande amigo real, desses que abrimos a porta de nossa casa e fazemos questão da visita. Ele conheceu minha família, eu conheci a dele, e a internet, que muitas vezes é acusada de isolar as pessoas, tornou-nos amigos para sempre.



PS: Leia a outra versão desta história no blog VIRTUAL/REAL

POSTADO ORIGINALMENTE NO BLOG TAXITRAMA, depois no VARAL DE IDEIAS, e publicado no dia 23 de Abril de 2012 no Diário Gaucho, Porto Alegre, na coluna PONTO DE VISTA. 

 Este é o jogo da amizade para provar que a web compensa. Quem se segue?

VIRTUAL / REAL - Jorge Pinheiro/Eduardo P.L.

6.4.12

EDUARDO - O SENHOR DOS VARAIS

Naquele tempo, os blogues não tinham cara. As caras não tinham rosto. Ninguém tinha face. Havia um anonimato implícito na blogoesfera, como se a virtualidade não tivesse nome. Reconhecer o Eduardo não foi fácil. Era Junho. Ano, o longínquo 2008. Foi em Lisboa. Já não me recordo como cheguei ao Varal de Ideias (o blogue do Eduardo). Cheguei num estendal atlântico. Fizemos uma ponte inter-continental. Ele estava em Lisboa. Houve uma empatia imediata. Traçámos planos na mesa do jantar. Surgiram blogues colectivos: Tertúlia Virtual; A Favor e Contra; Mobilling; Pé de Moça... Já nem sei! Sei que foi a primeira vez que encontrei alguém que era "apenas" virtual.
Estar na blogoesfera não é fácil. Há uma permanente exposição pública... voluntária. O Eduardo gosta de se expôr. Pela última contabilidade, ele tem 59 blogues e não vai ficar por aqui. Quem é o Eduardo? Seguramente uma pessoa complexa e multifacetada. Pintor, escultor, apaixonado pelas artes, apaixonado pela vida. Um homem, simultaneamente, ponderado e exuberante. Abrangente e teimoso. Seguro das suas ideias, certo dos seus propósitos. Não gosta de voltar atrás e de pedir desculpa. Somos o oposto. Eu estou sempre a voltar atrás e a pedir desculpa. Então porque ficámos amigos? Curioso nesta relação, é que há uma uma sensação de irmandade recíproca. Uma ligação de personalidades fortes e afirmativas que se respeitam e complementam. Algo que não se explica.
Em Janeiro de 2010 fui à Piacaba. Entrei por São Paulo. Fizemos depois o trajecto de carro até Santa Catarina. Um trajecto de dez horas que deu para muita conversa. A Piacaba é o paraíso do Eduardo. Uma casa fantástica, atelier de escultura, estúdio de pintura... Um Brasil diferente.  Choveu três dias seguidos. O Eduardo gosta mais de ouvir do que de falar. Tem opiniões precisas e "quase" inabaláveis. O seu atelier respira criatividade. Creio que há no Eduardo uma necessidade imperativa de agregação. E, no entanto, ele é muito exclusivo. São estas contradições que fazem as personalidades cativantes.
Uma casa no meio da mata. A praia ali tão perto. Esta é a Picaba. Foi em 2000 que Eduardo concretizou o sonho. Para um europeu, tudo é estranho nestas paragens. Há um espaço que custa a entender. Uma grandeza que se perde na imensidão do horizonte. Os turistas não são espanhóis, mas argentinos. Não há queijo da Serra e o bacalhau é uma miragem. Nem sempre entendemos o que nos dizem e temos de falar devagar para ter algum reconhecimento verbal. Mas, se não fosse assim, mais valia ficar em Lisboa. É uma sensação magnífica ouvir a nossa língua falada com vibração. Cantada com poesia. Entoada com as mil cores da mata atlântica.
Não sou de cerimónias. Andei pela casa toda. Fotografei tudo o que mexe. Este é o quarto do Eduardo. Às vezes ponho-me a pensar no gozo que deve ter dado planificar este sítio. Os planos que foram feitos. O prazer de ver a obra concretizada. Este é um quarto de sonho. Quem tem um quarto destes, tem de ser especial.
Estar por detrás de um grande homem quando se é uma grande mulher, não é fácil. Paulinha não está atrás. Está ao lado. Uma "paulista" convicta, Paula é uma personalidade cativante. Há encontros que estão pré-destinados. Este foi um deles. Eduardo é um homem de sorte.
Eduardo é o Senhor dos Varais e o Homem das Mil Caras. Com ele a blogoesfera nunca acabará. Tenho por ele uma profunda estima e um enorme carinho. Estranho, sinto um à vontade com ele que não sinto com muitos amigos "reais". Talvez haja entre nós uma ligação primordial.