Esta brincadeira ( muito séria ) se propõe tratar das relações de
amizade VIRTUAIS vis a vi com a relação de amigos REAIS. E o que
acontece quando se tem algum contato virtual, e se passa a conhecer a
pessoa na vida real.
A tarefa não é fácil quando tratamos do relacionamento que já passa dos cinco anos entre, primeiro o
Expresso da Linha, depois, com seu autor, e portanto virtualmente.
Jorge Pinheiro e Fernanda em nosso primeiro jantar em Lisboa. Foto E.P.L.
Vamos falar um pouco desse tempo. Nos idos de 2007 a blogosfera era
muito diferente da atual, se é que ela ainda existe nos dias correntes!
Blog era pouco conhecido, e seus usuários autores e leitores muito
tímidos e arredios! Uma ferramenta de comunicação social poderosa, mas
ainda explorada por poucos. Muitos tinham medo de se expor, usavam
pseudônimo e raramente mostravam claramente seus rostos no perfil.
Jorge Pinheiro em reunião com blogueiros em São Paulo, e com a escultura que nos presenteou, by E.P.L.
Almoço na Piacaba, SC, no estúdio de esculturas com Paulinha, e em São Paulo no Atelier da Jugioli, by E.P.L.
Cada um buscou fazer seu blog ao seu estilo, modelo, e intenção. O
blogger ajudava nisso. Seus autores eram neófitos em internet, naquele
tempo. E ao criar os blogs travavam uma verdadeira batalha para dar a
eles conteúdo, e buscar leitores. Era apaixonante. Virou um verdadeiro
vício. Foi nesse contexto que possuindo meu primeiro blog ( de uma longa
série ) Varal de Ideias, comecei a visitar todos blogs que encontrava
na web. Lia e comentava nos que me atraiam, pelo visual, assunto, ou
meramente o título! Ler os posts era importante, mas o que mais me
atraia eram os comentários, e principalmente quem comentava. Aí estava a
fonte de bons autores e bons blogues. Foi por aí que comecei.
Aprendendo a blogar, visitando centenas de blogs por dia. Elegendo meus
favoritos, comentando, participando. Em alguns fui rechaçado por me
tomarem preconceituosamente por" um velho interiorano de Imbituba, SC ",
como foi o caso de uma arquitetazinha "metida" de São Paulo. Mas são
águas passadas.
Jorge blogando na Piacaba, de chapéu em São Paulo e na Piacaba trabalhando, by E.P.L.
Foi num desses blogs que me deparei com alguém que assinava
Expresso da Linha.
Escrevia curto, bem e profundo. Fui conferir seu blog. Imagens
instigantes, e um historiador, intelectual competente! Comentei. Ele
provavelmente fazia a mesma coisa, ia conhecer os blogs dos
comentadores, e apareceu no jovem e imaturo Varal de Ideias. Ele e
centenas de outros blogueiros que costumo chamar de "núcleo central do
Varal". Nos tornamos uma turma, unida e muito grande, para as parcas
expectativas da época. Eram relações virtuais. Não passavam disso.
Algumas dessas pessoas eram mais abertas, mas a grande maioria muito
fechada! Não havia discriminação ( como fui vítima no caso da arquiteta
), e todos que chegavam ao Varal eram igualmente bem vindos. Muitos
voltaram diariamente, e alguns permanecem nos visitando até hoje. Seis
anos de relacionamento virtual. Não se consegue "esconder" uma
identidade durante tanto tempo, com um contato tão estreito, ainda que
virtual. E foi aí que senti necessidade de romper essa "distância" e
aproveitando uma viagem de recreio, a Portugal, anunciei pelo blog minha
ida! Quem quisesse me conhecer pessoalmente, eu teria prazer no
encontro.Uns poucos amigos virtuais atenderam ao convite. Eram tão
arredios que não consegui programar um encontro com todos juntos.
Queriam "audiências" em separado. Acabei me atrasando numa visita a um
Museu, e numa rápida, mas inesquecível passagem pelo " Pastel de Belém",
que quando chegamos ao hotel estavam todos juntos, a nossa espera.
Entre eles, timidamente um casal, Fernanda e Jorge, com um livro
autografado e uma caixa de papelão com uma escultura sua.

Jorge na praia de Ibiraquera, SC- 2010 - by E.P.L.
O encontro em si foi tenso, formal, e rendeu poucas conversas
paralelas, algumas fotos, e um convite do Jorge para jantarmos logo mais
a noite! Convite aceito, saímos a pé para um restaurante nas
proximidades, e na ida, e na volta, aulas de história e cultura
portuguesa e lisboeta. Mas foi durante o descontraido jantar que se
selou uma admiração e ínicio de verdadeira amizade, com um Jorge
completamente abstêmio, que me propôs a primeira brincadeira ( de muitas
que se seguiram ao longo dos anos) que consistiria em fazer uma imagem
que RETRATASSE aquele nosso jantar. ( é a foto acima com a Fernanda )
Voltando ao Brasil, em dia e hora a se combinar, postaríamos as fotos
resultantes! Ganharia a melhor. Criar, competir, sintetizar, brincar.
Esse o resumo de nossas tentativas! Daí para frente nunca mais paramos
de inventar coisas juntos! Até hoje temos parcerias em blogs e muitas
histórias em comum. Por que aconteceu? Essa é a nossa tarefa, agora, a
desvendar! O Jorge escreve bem. Eu não. O Jorge tem um poder incrível de
sintese e de usar, apropriadamente, com grande humor, construções
inusitadas. Eu sou absolutamente prolixo. O Jorge é músico, eu não. Mas
temos gostos em comum. Enganam-se quem pensa que estamos permanentemente
em contato. Falamos duas vezes pelo Skype ou telefone nesses cinco
anos. E-mails não muito mais do que isso a cada ano. E como nos
entendemos tão bem? Aí esta o mistério. Nunca discordamos a ponto de
criar impasse. Sempre um de nós se rende aos argumentos do outro. Nunca
houve uma desavença. Nunca planejamos essa amizade. Aconteceu. Que
mistério, ou química precisa haver para que isso aconteça ? Espero que
no depoimento do Jorge, lá no
Expresso da Linha, postado neste mesmo dia e hora, possa ser aclarado. Vamos aguardar.